Biologia

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O que é uma borboleta?

Tanto as borboletas nocturnas como as diurnas pertencem à Ordem Lepidoptera e são caracterizadas pela presença de um coberto de escamas (pêlos modificados) que cobre os dois pares de asas como que as telhas de um telhado.

O aspecto colorido de diferentes espécies desta Ordem ajudou em parte a cativar os coleccionadores desde à longa data tornando-o deste modo o grupo dos insectos mais bem conhecido.

O número de espécies existentes em todo o Mundo é ainda desconhecido e todos os anos são descobertas novas espécies para a ciência (mesmo na Europa).

Duckworth (1975) refere um número aproximado de 165 mil espécies descritas das quais 10% são diurnas.

Young (1997) faz referência a 130 mil espécies conhecidas das quais 12% são borboletas diurnas.

 

Na Península Ibérica estão descritas mais de 4300 espécies e, apesar de Portugal ser 3 a 4 vezes mais pequeno que a vizinha Espanha conta já com mais de 2600 espécies, o que perfaz mais de 55% da Lepidopterofauna Ibérica.

Cerca de 95% das espécies descritas para Portugal pertencem ao grupo das borboletas nocturnas e os restantes 5% pertencem ao grupo das borboletas diurnas.

 

Deste modo qual será então a diferença entre uma borboleta nocturna e uma diurna?

A primeira ideia que nos vem é que deverá ser a actividade biológica que as diferencia, contudo, apesar das borboletas diurnas voarem exclusivamente durante o dia, o mesmo já não se passa com as borboletas nocturnas já que grande parte delas tanto voa de noite como de dia.

Em termos evolutivos também se fica com a ideia que as diurnas serão as mais evoluídas mas isso também não é verdade, encontrando-se ensanduichadas no meio da árvore evolutiva.

Contudo, algo existe que, apesar de bastante relativo, as torna diferentes.

A principal característica estrutural que distingue as borboletas diurnas das nocturnas é a forma das antenas. Nas diurnas são quase sempre em forma de clava e nas nocturnas são filiformes ou pectinadas. Outra característica é a inexistência do frenulum (fio que une asa anterior e posterior) nas borboletas diurnas.

 

Mais controverso é a divisão da Ordem em microlepidópteros e macrolepidópteros. Apesar de possuir um carácter científico não válido, está distinção continua a ser utilizada por ser bastante prática.

Seguindo a grelha de classificação, são considerados macrolepidópteros todas as espécies de borboletas diurnas e as seguintes borboletas nocturnas, normalmente de maior tamanho.

Os microlepidópteros serão então todas as espécies que fiquem na grelha de classificação até às borboletas diurnas.

Contudo, algumas famílias incluídas nos microlepidópteros são consideradas por simpatia de macros (Hepialidae, Zygaenidae e Sesiidae).

É importante referir que apesar da utilização desta divisão por todos os aficionados, existem espécies de microlepidópteros maiores do que alguns macros.

  

Ciclo de vida das borboletas

Todos nós aprendemos na escola que as borboletas são um clássico exemplo de metamorfose completa. Ovo-lagarta-crisálida-adulto.

Contudo, no mundo das borboletas nocturnas existem algumas excepções. As fêmeas de várias espécies do género Coleophora (micro) depositam lagartas completamente formadas directamente na sua planta-alvo.

É sabido que a reprodução das borboletas é na sua grande maioria sexuada. Também aqui no mundo das borboletas nocturnas existem excepções. Alguns membros das famílias Nepticulidae têm a capacidade de realizar a partenogénese (reprodução assexuada). Esta é uma característica específica da família dos Psychidae. Nesta família apenas os machos têm asas, as fêmeas além de não terem asas poderão também ter ausentes as patas, as antenas e até mesmo os olhos.

 

Identificação

Para o principiante, nada é mais frustrante que não ser capaz de identificar uma espécie, quer esta seja uma borboleta, uma planta ou um pássaro. Para um especialista nada é mais excitante, pois poderá ser algo de novo ou bastante raro.

O primeiro passo é começar por grupos. O início do estudo das borboletas nocturnas deverá ser feito a partir dos macrolepidópteros. Este grupo inclui borboletas que, de um modo geral, exibem padrões e cores que permitem fazer uma identificação sem a necessidade de recorrer à captura e análise laboratorial. Uma simples fotografia poderá ser suficiente para que, recorrendo à ajuda de um lepidopterologista mais experiente, se consiga fazer a identificação do espécime. Além da vasta bibliografia existente por toda a Europa, pode-se já recorrer a guias de campo on-line de borboletas nocturnas.

 

O mesmo já não se passa com as microborboletas. Este grupo inclui espécies pequenas e bastante semelhantes num mesmo género, que só poderão ser identificadas por observação microscópica do aparelho genital.

Muitas espécies de microborboletas são facilmente identificadas em fases mais precoces do seu ciclo de vida. Algumas lagartas habitam dentro das folhas das suas plantas-alvo e deste modo traçam linhas, denominadas de minas, com características específicas para cada espécie.

Contudo e, apesar das dificuldades na identificação, o estudo das microborboletas é talvez um dos mais interessantes. Dado que grande parte das espécies novas descobertas nestes últimos anos são microborboletas qualquer lepidopterologista gostaria de ver o seu nome numa espécie nova para a ciência. Infelizmente a bibliografia existente é reduzida e também é um pouco cara.

 

A maneira mais simples de identificar uma borboleta é folhear as páginas de um guia de campo com fotos de diferentes espécies. Qualquer iniciante achará bastante confuso, face ao grande número de espécies que para ele se tornar muito parecidas. Muitos guias de campo apresentam as borboletas preparadas e por isso numa posição não natural, o que dificulta ainda mais a identificação.

Além das asas, outras partes do corpo como as antenas, as patas e o abdómen podem ser essenciais na procura da identificação da espécie.

Padrões típicos das asas são também alterados em espécimes preparados. Contudo, a visualização das asas posteriores é também importante na identificação de algumas espécies.

Existem outros pontos importantes no uso dos guias de campo. Normalmente todas as espécies são representadas com espécimes em condições óptimas, ou seja, com as asas num perfeito estado, como que acabadinhas de nascer.

Contudo, nem todos os indivíduos observados no campo estão nesse perfeito estado, as asas poderão estar danificadas, as cores mais esbatidas, as manchas ou linhas menos marcadas ou haver completa ausência de escamas.

Por vezes torna-se impossível identificar o espécime pelas características externas mas o exame à genitália é sempre acertado.

 

Espécies variáveis

Algumas borboletas apresentam duas ou mais formas distintas (polimorfismo) ou seja, mantendo as formas das marcas e linhas nas suas asas poderão ser mais escuras, mais claras ou até mesmo de cores diferentes. Ex: Omphaloscelis lunosa.

Deste modo é necessário olhar para o espécime com atenção, olhando mais aos pormenores do tamanho, forma e padrão das asas do que para a cor em si.

A variação da cor ou da tonalidade poderá fazer realçar linhas, pontos ou ocelos, contudo o padrão e a disposição dessas características mantêm-se no mesmo sítio.

Caso estejamos perante um indivíduo com características de duas ou mais espécies, o ideal é fazer uma lista das espécies prováveis e procurar diferentes imagens em vários guias de campo.

Caso a distinção seja impossível pode recorrer-se às características de cada espécie, tais como: período de voo, distribuição, habitat, presença planta-alvo, etc.

Em todo o caso, e se não pretender capturar o espécime, poderá sempre recorrer à fotografia. Deverá fotografar de diferentes ângulos tentando realçar as características mais proeminentes.

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